Por EDISON BOAVENTURA JÚNIOR
Presidente do GUG – Grupo Ufológico de Guarujá
 
 
O objetivo deste artigo é trazer à tona dois casos protagonizados por militares brasileiros e ocorridos antes do que se convencionou chamar de “Era Moderna dos Discos Voadores”, ou seja, antes do ano de 1947.
 
A “Era Moderna dos Discos Voadores” ficou marcada com o clássico caso de 24 de junho de 1947, quando o piloto civil norte-americano Kenneth Arnold relatou à Imprensa o seu avistamento sobre o Monte Rainer em Washington de um esquadrão de nove objetos voadores não identificados.
 
Nos dias atuais muitos céticos contestam esta histórica ocorrência e inclusive, muitos pesquisadores de Ufologia já admitem como hipótese que aqueles objetos estranhos possivelmente seriam uma formação de aeronaves super secretas dos Estados Unidos.
 
Voltando ao nosso tema, relatarei primeiramente um caso acontecido em junho de 1846, testemunhado pelo capitão-de-fragata Augusto João Manuel Leverger – conhecido como barão de Melgaço – por sua tripulação e simultaneamente observado pelo ministro do Brasil que se encontrava no Paraguai na época, o doutor José Antônio Pimenta Bueno – mais conhecido como marquês de São Vicente.
 
Em seguida, abordarei o fato acontecido em 1945, envolvendo o piloto e herói de guerra, capitão Fortunato Câmara de Oliveira, que integrou a Força Expedicionária Brasileira como comandante do “Blue-Fight”, cuja missão se deu no Vale do Pó, na Itália.
 
Talvez, este seja o único caso conhecido até os dias de hoje sobre o avistamento de um militar brasileiro que testemunhou os chamados “foo-fighters” durante a II Guerra Mundial. Boa leitura!
 
Avistamento do Capitão Augusto Leverger
 
Um dos nossos protagonistas é o militar franco-brasileiro Augusto João Manuel Leverger, mais conhecido como barão do Melgaço – título conferido em 1865 pelo Imperador D. Pedro II – que nasceu em 1802 na cidade-corsária de Saint Malo na França e foi naturalizado brasileiro em 1844. Ingressou na Marinha Imperial Brasileira como 2º tenente em 11 de novembro de 1824 e inclusive atuou na defesa das fronteiras brasileiras durante a Guerra do Paraguai (1864 até 1870), sendo cinco vezes o presidente da província de Mato Grosso. Deixou importantes obras científicas, destacando os trabalhos hidrográficos do estado do Mato Grosso, o Dicionário Geográfico da Província de Mato Grosso e ainda um importante roteiro de navegação pelo rio Paraguai. Produziu também cartas, mapas, outras plantas hidrográficas e memórias históricas. Faleceu em Cuiabá – MT, em 14 de janeiro de 1880, aos 78 anos.
 
 
Em junho de 1846, duas canhoneiras brasileiras, comandadas pelo capitão-de-fragata Leverger, navegavam para Assunção, no Paraguai, quando observaram um fenômeno natural desconhecido, conforme sua conclusão na época.
 
Leverger estava a bordo da barca-canhoneira “Dezoito de Julho” que era acompanhada da embarcação “Vinte e Três de Fevereiro”, com um contingente total de 47 tripulantes, quando observaram o fenômeno às 05h57min da madrugada.
 
O fato foi registrado pelo jornalista da Gazeta Official do Império do Brasil, na edição do dia 26 de novembro de 1846, na página 295, Volume I, n° 74, que fielmente transcrevo a seguir: “Observei esta noite hum phenomeno como nunca antes vira. As 5 horas e 57 minutos estando o céo perfeitamente limpo, calma, thermometro 60º, hum globo luminoso com instantanea rapidez descreveo huma curva de como 30º, ao rumo de NNO. A direcção fazia com o horizonte angulos de, aproximadamente, 75º e 105º o agudo aberto pelo lado Oeste. Deixou subsistir huma faxa de luz de 5 ou 6° de cumprimento e 30 a 35° de largura, na qual distinguião-se tres corpos cujo brilho era muito mais vivo que o da faxa, e igualava, se não excedia, em intensidade, o da lua cheia em tempo claro. Estavão superpostos e separados huns dos outros. O do meio tinha a apparencia quasi circular; o inferior parecia hum segmento de círculo de 120º com os raios extremos quebrados; a fórma que apresentava o de cima era de hum quadrilatero irregular; a maior dimensão dos discos seria de 20 a 25°. Emfim acima delles via-se huma lista de luz muito fraca em fórma de zig-zag de como 3° de largura e 5° ou 6° de comprimento. A altura angular da faxa grande sobre o horizonte parecia de 8°. (Receoso de perder alguma circumstancia do phenomeno não recorri ao instrumento para medir essas dimensões). Foi tudo abaixando com não maior velocidade apparente do que os astros no seu occaso, porém os globos luminosos mudarão de aspecto tomando a fórma elliptica de cada vez mais achatada, e embaciando até parecerem pequenas nuvens. A faxa grande inclinou-se para N até ficar quasi orizontal, mas o zig-zag sempre conservou a mesma direcção. Depois de 25’ tudo desappareceo, e não houve o mais leve signal de perturbação na atmosphera. Na cidade de Assumpção conversei com o Ministro do Brasil e diversas outras pessoas que testemunharão esta, para nós todos, singular apparição. Huma circumstancia que me pareceo muito digna de notar-se, he a direcção em que o dito Ministro observara o phenomeno; não houve engano, pois referia a observação a hum muro cujo azimuth era facil verificar, e esta direcção era proximamente de ONO, fazendo por tanto hum angulo de 45° com a de NNO, que eu notara. Submetti ao calculo trigonometrico esta enorme parallaxe combinada com as posições geograficas da Assumpção e do lugar onde eu observei, e achei que o phenomeno devêra verificar-se na região atmospherica e tão somente a 59 legoas de distancia da Assumpção”.
 
 
Não é possível precisar a data do ocorrido, nem a localização exata da estranha aparição, pois poderia ter sido em território nacional ou paraguaio. Entretanto consta que no dia 30 de junho de 1846, as embarcações sob o comando de Leverger partiram de Assunção para reconhecimento do Rio Paraguai e se dirigiram até sua confluência com o rio Paraná. No livro “Leverger – O Bretão Cuiabanizado” (1979), de Virgílio Alves Corrêa Filho, na página 13, consta “Estava fundeado no porto em junho de 1846…”. Assim, suponho que o caso tenha ocorrido no mês de junho de 1846.
 
Na ocasião, quando aportou em Assunção, Leverger procurou o Ministro do Brasil no Paraguai, o doutor José Antonio Pimenta Bueno, mais conhecido como marquês de São Vicente, que também testemunhou o fenômeno inusitado e então puderam conversar a respeito do avistamento.
 
Hoje, sabemos que este caso acontecido na época do Brasil Império não pode ser explicado como um meteorito ou um fenômeno atmosférico natural, principalmente pelo tempo de duração da observação de 25 minutos… Assim, entendo que este caso é de incalculável valor ufológico, pelas características descritas e por ser o primeiro acontecimento publicado em um periódico nacional e ainda, testemunhado por homens experientes e respeitáveis.
 
Capitão Fortunato Avista OVNI
 
Em 2003 tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o ex-major brigadeiro Fortunato Câmara de Oliveira que na ocasião me relatou casos vivenciados por ele e seu esquadrão no Vale do Pó, na Itália, durante a II Guerra Mundial.
 
Ele me contou que nasceu em uma família de militares, no dia 14 de janeiro de 1916, pois seu pai Edgar de Oliveira foi Marechal do Exército. Disse-me também que no inicio de sua carreira militar foi piloto de combate, sendo comandante da Esquadrilha Azul (“Blue-Fight”), completando 56 missões de guerra, no período de outubro de 1944 a março de 1945. Voltou ao Brasil por motivos de saúde. No Brasil foi comandante do 2º Grupo de Bombardeio Leve, foi chefe da seção de operações do 1º COMAR, entre outras funções que desempenhou.
 
Fortunato também possuía habilidades com desenhos, charges, ilustrações, etc., sendo que criou o símbolo “Senta a Pua”, do 1º Grupo de Caça. Perguntei ao piloto Fortunato como foi a missão do seu esquadrão no Vale do Pó, na Itália, durante a II Guerra Mundial e se em alguma ocasião ele e seus companheiros viram OVNIS ou os famigerados foo-fighters e ele respondeu: “Nós éramos muito mais treinados que os americanos. Eu cheguei com mais de 1000 horas de vôo e os americanos com aproximadamente um terço das horas. No início fizemos duas missões com os americanos para aprender a rotina das missões de guerra. No começo foi difícil a adaptação, pois tínhamos que fazer o que os americanos do 350th Fight Group da USAF faziam. Participei da missão “Fita Azul” quando destruímos um avião alemão inimigo JU-88 no aeroporto de Gued. Estávamos eu, o Santos, o Neiva e o Goulart. Foi a melhor missão que fiz, me deu até um cluster no meu Air Medal. Devo confessar que vi muitas coisas estranhas do lado de lá. Sim, vimos o que os aliados chamavam de foo-fighters em poucas ocasiões, mas vimos! E até hoje estes avistamentos me impressionam a cuca”.
 
 
Tirando um cigarro do maço, Fortunato prosseguiu seu relato: “Vimos muitos objetos voadores não identificados, mas estas observações eram rejeitadas imediatamente pelos companheiros americanos. Certa feita a bordo do meu P-47D Thunderbolt estávamos a caminho da área do objetivo perto de Udine quando vi uma coluna de fumaça alta e espiralada. Foi uma coisa muito diferente que comentei para o capitão Miranda. Ele encaminhou um relatório para o comando do 350th Fight Group, ao qual éramos subordinados e então eles pediram para me comunicar que era uma ilusão de ótica. Como o tenente Lima Mendes tinha fotografado aquele estranho fenômeno, encaminhamos a fotografia para o comando. Posteriormente eles devolveram a foto com pedido de desculpas pelo comentário de ilusão de ótica, mas não fizeram nenhuma complementação de informações sobre o ocorrido”.
 
Uma Estranha Pipa no Meio da Explosão de Flak
 
Em 1945 eu vi uma coisa meio gaiata, pois era um objeto voador não identificado, em forma de pipa, saindo de dentro de uma nuvem negra de explosão de Flak. Lembrava um avião 14-Bis, sei lá, era algo diferente. Depois deste caso vi outras coisas luminosas e foo-fighters que por vezes perseguiam nossos caças, mas como os americanos pensavam que eu queria tumultuar com o pessoal da Inteligência, resolvi parar de relatar tais aparições”, disse Fortunato. Perguntei o que era um Flak e Fortunato me respondeu que durante uma bateria antiaérea quando um projétil atinge uma aeronave, produz uma nuvem negra por causa da explosão e nenhum objeto voador convencional sairia voando naquela situação, somente despedaçado. Portanto, a “estranha pipa” só podia ser algo não identificado.
 
 
Foo-Fighters…
 
Durante a Segunda Guerra Mundial houve vários relatos de pilotos dos aviões militares aliados e alemães que informaram ver insólitas esferas luminosas que surgiam inesperadamente e por vezes acompanhavam suas aeronaves. Estes OVNIS ficaram conhecidos como Foo-fighters!
 
Tanto os americanos como os alemães acreditavam tratar-se de armamento secreto dos inimigos e vários jornais da época relataram estes avistamentos, tentando várias explicações. Até a hipótese de arma psicológica dos alemães foi aventada pelos americanos para explicar os Foo-fighters. Entretanto, terminada a guerra, os americanos e alemães concluíram que não se tratava de nenhuma espécie de arma secreta.
 
O que eram os Foo-fighters? Armas secretas ou a manifestação do Fenômeno OVNI? Talvez jamais saibamos com certeza… Mas uma coisa é certa: os pilotos brasileiros presenciaram tais fenômenos na II Guerra Mundial e estavam aptos para a guerra, o que confere fidelidade aos relatos vividos por estes heróis de guerra.
  
 
(Artigo publicado na BURN – Brazilian UFO Research Network, em Março de 2008)
 

Fonte das Ilustrações: FAB – Força Aérea Brasileira e GUG – Grupo Ufológico de Guarujá

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